domingo, 15 de março de 2009

USOS E COSTUMES À LUZ DA BÍBLIA


julgai todas as coisas, retende o que é bom;” (1Ts 5.21)

Por: Anderson Teixeira

INTRODUÇÃO


O presente estudo tem por objetivo analisar brevemente algumas regras de comportamento estabelecidas por igrejas evangélicas brasileiras. Tais “usos e costumes” são muitas vezes postos de modo abrupto, sem explicação bíblica, mesmo sabendo-se que o embasamento bíblico é indispensável à conduta do cristão. Isto está explicito no 2º artigo do credo das Assembléias de Deus no Brasil: “Cremos... na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão (2Tm 3.14-17)... (http://www.cgadb.com.br)/”.

Esta declaração afirma categoricamente que o membro da AD não deveria ter regras que não fossem das Escrituras. Entretanto, a conduta do fiel muitas vezes é regulada pelos “usos e costumes” estabelecidos pela tradição denominacional, e não pela Bíblia. Visto que esta análise objetiva ser clara, precisa e concisa, abordar-se-á apenas a controvérsia em torno do uso de jóias e da submissão aos pastores das igrejas.

Peço-vos que não tenham medo de abrir as Escrituras. Não rejeitem nem aceitem o que será apresentado sem conferir na Bíblia as referências citadas. Com a Bíblia fechada, abraçar uma idéia é cegueira, rejeita-la é orgulho. A ordem bíblica é observar tudo e reter o que é bom. (1Ts 5 .21)


I USO DE JÓIAS NAS ESCRITURAS

Vamos analisar do NT para o AT o que a há sobre jóias nos textos preferidos daqueles que são contrários ao seu uso.


1. As Jóias e o NT

Um texto muito usado para proibir as jóias é 1Pe 3.3. Olhando com mais atenção, vemos que a ênfase do apóstolo é na prioridade do dos valores espirituais, da submissão da mulher (v. 1,2). Ele não está proibindo as jóias, mas dizendo que o que deve ser notado é a beleza interior (v. 4). É como se hoje disséssemos a uma noiva bem vestida: “Que a sua pureza e beleza esteja no seu coração e não na brancura e adornos de seu vestido”. Isso não significa que ela não deva vestir-se de noiva! O curioso é que o texto também fala de “frisado de cabelo” e “vestimentas belas”. Porque será que aqueles que proíbem as jóias não proíbem de pentear os cabelos e de usarem roupas bonitas?

Outro texto é 1Tm 2.9. A interpretação é semelhante ao texto já comentado. Paulo não diz que é pecado o uso de jóias, vestes bonitas e cabelo arrumado! Ele diz que deve haver modéstia e boas obras (v.10). Isso é que deveria ser notado pelos irmãos. Onde é que Paulo ou Pedro dizem que usar jóias é pecado? Em nenhum lugar da Bíblia. Tenhamos cuidado, pois Satanás também já tentou distorcer as Escrituras para sujeitar o próprio Senhor Jesus (Mt 4.1-11).


2. As jóias e o AT

Já que no NT as duas passagens usadas pelos legalistas de fato não condenam o uso de jóias, vejamos o AT. Um texto muito usado é Is 3.18,18. Contudo, os que não têm preguiça de ler o capítulo todo e os que sabem o básico dos básicos de interpretação de texto logo notarão o erro desse pensamento. O capítulo todo fala sobre o julgamento de Deus sobre Judá e Jerusalém. O pecado não é aqui o uso de jóias, mas o desprezo ao Senhor (v. 8,9), a opressão ao pobre (v. 14,15) e o orgulho das mulheres que viviam luxuosamente (v. 16). Se o leitor acha que as jóias são pecado só porque Deus as está tirando, então deveria achar outras coisas também pecado, pois o texto diz, dentre muitas coisas, que Deus tiraria pão e água (v.1), profeta (v.2), véu (v.19), perfume (v. 20,24), vestidos de festa e bolsas (v.22), espelhos e camisas finíssimas (v.23). Note que não são as jóias, os espelhos, o perfume, o pão, a água que são considerados pecado. Será que o evangélico que não usa jóias por causa de sua interpretação errada desse texto também não usa perfume e nem tem espelho em casa?

Em Êx 3.21,22 vemos que foi o próprio Deus que determinou o uso das jóias dos egípcios. E o que fazer com Ez 16? Deus vai relatar como cuidou de Jerusalém e a ergueu e ela acabou sendo infiel. No texto, Deus é comparado a um homem que vê uma criança desprezada (v. 4,5), mas que recebe dele socorro (v. 6,7), contrai matrimônio (v. 8), lhe dá roupas belas, jóias diversas, dentre outro presentes (v.10-13). Será que Deus chama isso de pecado? Não! Ao contrário, o texto compara a glória de Deus colocada sobre Jerusalém com as jóias e presentes postos na jovem (v.14). O pecado aqui é o orgulho, a soberba, a prostituição (v. 15), as jóias não. Elas são comparadas com a glória de Deus! Será que Deus compararia a sua glória com aquilo que fosse pecado? Óbvio que não. Em Is 61. 10 o profeta compara a salvação e justiça com turbante e jóias. É pecado ou não é? Alguns se pudessem, rasgariam a Bíblia... Leia Ap 21.2, onde a nova Jerusalém desce do céu “ataviada como noiva adornada para o seu esposo”, e tente descobrir como as noivas israelitas se adornavam nas escrituras. Peça para seu pastor refutar os textos bíblicos citados, caso ele discorde. É obrigação dele calar os contradizentes! Essa é uma das qualificações dos presbíteros e pastores (Tt 1.9). NÃO ACEITE QUE ELE CORRA , A NÃO SER QUE SUA ORDENÇÃO TENHA SE BASEADO EM POLITICAGEM E NÃO NAS ESCRITURAS!

Já tive a oportunidade de presenciar um “evangelista” de uma grande igreja pentecostal em Recife dizer, de púlpito, que as irmãs não poderiam ter franjas no cabelo porque a Bíblia diz para sermos “símplices como as pombas...” ( Mt 10. 16), e “ninguém nunca viu uma pomba de franjinha...”. Outros usam o mesmo texto para proibir a maquiagem feminina, mas o texto está falando para apóstolos estarem preparados para as perseguições por causa do evangelho (* Mt . 10 17-19).Note que tais igrejas não têm compromisso com a Palavra de Deus, pois a distorcem a seu bel prazer, com o objetivo de escravizar os seus membros, que em sua maioria não são preparados para examinar tudo e reter o que é bom (1Ts 5.21) e acabam aceitando qualquer heresia. Aliás, Jesus estava falando de qual pomba, a branca ou a pintadinha? Tem mais de qual cor? O texto não fala de usos e costumes. Mas você pode indagar, “e se o pastor determinar as regras, qual deve ser a nossa postura?” Isso é o que veremos no próximo tópico (Não tenha medo! Leia! Você não é testemunha de Jeová que só lê o que a sociedade torre de vigia edita...).


II A SUBMISSÃO AOS PASTORES LEGALISTAS

Alguns têm alegado que o crente deve se sujeitar aos usos e costumes extra-bíblicos ditados pela denominação à qual fazem parte, sob o pretexto de que devemos ser submissos aos nossos pastores, de acordo com Hb 13.17. Entretanto, as Escrituras não apóiam tal alegação. Vejamos o que diz a Confissão de Fé de Westminster, uma declaração doutrinaria dos protestantes do século XVII(Peço-vos que confiram as referências nas Escrituras).

“Só Deus é senhor da consciência (Tg 4.12; Rm 14. 4,10), e a deixou livre das doutrinas e dos mandamentos humanos que, em qualquer coisa, sejam contrários a sua palavra, ou que em matéria de fé ou de culto, estejam fora dela(At 4.19; 5.29; Mt 23.8-10). Assim, crer nessas doutrinas ou obedecer a esses mandamentos, por motivo de consciência; e requerer para eles fé implícita e obediência cega e absoluta, é destruir a liberdade de consciência e a própria razão (Cl 2.20-23; Gl 1.10; 2.4,5; 4.9,10; 5.1; Rm 14.23; At17. 11; 1Pe 3.15)” (CFW XX; II).

A alegação de que devemos aceitar as regras impostas só porque devemos submissão aos nossos pastores é antibíblica, caso tais regras não venham das Escrituras. Judas era apóstolo, mas nenhum fiel tinha a obrigação de seguir sua conduta errada. Pedro foi repreendido por Paulo por causa de sua conduta preconceituosa contra os gentios (Gl 2.9-14). O próprio Senhor Jesus, em Mc 7.1-23, condena a obediência a regras que não estão nas Escrituras, mesmo que venham de nossos líderes! Isso pode ser claramente percebido numa análise simples do texto. Vejamos:

1. Israel passou a observar vários costumes que não estavam nas Escrituras, mas que foram acrescentados pelos líderes do povo de Deus ao longo dos séculos (Mc7. 3);

2. Eles “estenderam as ordenanças bíblicas da purificação sacerdotal, no momento do sacrifício do templo (Êx 30.19;40.12), ao comer do pão por todos os judeus” (Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1157) e achavam que quem não seguissem os “usos e costumes” dos líderes estavam errados (Mc7.1,2,5), pois entendiam que a tradição deveria ser seguida zelosamente. Paulo, antes de sua conversão, também cometia tal erro (Gl1.14);

3. Para Jesus, esse comportamento zeloso com o que não é bíblico, só passa agradar a liderança religiosa, fazia do povo: hipócrita (v.6); louvavam a Deus só com os lábios, não com o coração (v.7), eram negligentes quanto aos mandamentos de Deus; e invalidavam a Palavra de Deus por causa dos costumes inventados pelos líderes (v.13).

Mas erroneamente alguns dizem “o pastor presidente tem autoridade e nós devemos ser submissos ao que a denominação estabelecer. Ninguém deve questionar o ungido de Deus”! Percebam que Paulo, sendo apóstolo, não se incomodou com o fato dos crentes bereanos terem ido verificar se seu ensinamento era bíblico (At 17.10,11), além de dizer que se ele mesmo ensinasse algo que fosse além do evangelho que era pregado, que aquilo fosse condenado maldito (Gl 1.8,9)! Será que o pastor de sua igreja tem mais autoridade do que o apóstolo Paulo? A Bíblia não diz que seu pastor não pode ser questionado.

Talvez você, caro leitor, não queira falar ou aceitar a verdade, por desejar ser favorecido com alguma posição na igreja. Só que a Bíblia diz que quem procura agradar a homens para ser por eles favorecido, não é servo de Cristo ( Gl 1.10)! Não importa se alguém alegar ter recebido este mandamento por revelação, pois ainda assim seria maldito (Gl 1.8)! Jesus recorria às Escrituras para destruir os argumentos antibíblicos sobre “usos e costumes” (Mc 7.6-8,13).

Paulo fala que quem é rigoroso nos “usos e costumes”, cultua a si mesmo e sua humildade é falsa (Cl 2. 20-23). Note que aqueles irmãos que são extremamente rigorosos nos costumes se acham mais santos do que os outros cristãos. Cultuam a si mesmos (Cl 2.23), chegando ao ponto de dizerem: “Irmã fulana não tem semblante de crente”! Semelhantemente aos fariseus, Atam fardos pesados nas costas do outros, mas não os ajudam (Mt 23.4), trabalham e se vestem com o fim de serem notados (Mt 23.5), gostam de ter oportunidade nas igrejas (Mt 23.6), se preocupam só com exterior(Mt 23.25-28), perseguem aqueles que se levantam para apontar seus erros (Mt 23.34). Só que vão para o inferno (Mt 23.33)!

Jesus disse aos religiosos de Israel: “mas, porque eu digo a verdade, não me credes... quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus” (Jo 8.45,47). Certamente, os que são de Deus trocarão os “usos e costumes” estabelecidos pelos homens e ficarão com as Escrituras Sagradas.


CONCLUSÃO

Concluímos este estudo com a seguinte pergunta: Se uma denominação afirma em seu credo que a Bíblia é a única regra de fé para a vida e o caráter Cristão, será que é correto ela estabelecer normas que não estão na dita “única regra de fé”? Aquele que mente, tem quem por pai? O problema é que ensinam que seguir tais “usos e costumes” é o padrão de santidade, mesmo que não estejam na Bíblia. santifique os crentes pelo que está na palavra: “santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). O padrão de santidade é o que pode ser biblicamente exposto.

Aquele líder que distorce o texto bíblico ou acrescenta regras paralelas assemelha-se aos principais oponentes do ministério de Jesus. Na tentação (MT 4) o diabo distorceu as Escrituras para sujeitar o próprio Cristo, enquanto que os líderes religiosos acrescentavam regras ao povo que não se encontravam nas Escrituras, com o fim de sujeitá-los (Mt 23; Mc 7).

Fonte: BEREIANOS

2 comentários:

camerino disse...

Boa tarde gostei do estudo , pois nos ensina a se defender diante das heresias que algumas igrejas , chamadas pentecostais ensinam.

camerino disse...

Diante de tantas mentiras proferidas por alguns falsos ensinadores os crenres tem se habituar a leitura e a pesquisa com os cristãos em Beréia.